Epífita


Selda Pessoa

Pela dor do arrombamento
Mantive a porta fechada
Distraída, destrancada
Tão fácil, chegaste assim

Invasão tão logo bem vinda
Tua boca calou meu medo
Teu calor distraiu meu ego
Uma vida brilhou em mim

O desejo guiando a rota
Pensei que sem solo fértil
Nada que floresce vive
Estimei muito em breve um fim

Mas o cuidado e as palavras doces
Fizeram a rota até minha alma
E, orquídea acoplada em árvore,
Nossa flor germinou assim

O anel brilhando em seu dedo
Suas mãos me dão o sossego
Depois de apagar o tempo
Em segundos de você em mim

Epífita, aderida ao carvalho
Conversa, contato, calor
Quando flor me alimento do galho
Quando galho me nutro da flor
E com medo, penso que logo
Ela, egoísta, ou ele, vaidoso
Arrancará essa flor da árvore
Para enfeitar só seu próprio jardim

Não por maldade ou desprezo
Pequenos, não alcançam tão longe
E entendem que prendendo a vida
Terão ela inteira pra si

Mas mesmo algemados em vasos
Teremos memórias, retratos
E saberemos a verdade
Só nossa.

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Selda Pessoa

E-mail: selda.pessoa@icloud.com

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